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Gato Pardo

Para quem não conhecia, saiam enquanto é tempo...Para quem já conheceu, puxem duma cadeira...Vem aí a versão 2.0...

Desafio

Visto estarmos em plena época natalícia e coiso e tal, nem me tenho dado ao trabalho de consultar mails. Escapou-me este desafio proposto pela leitora Delícia da Amêndoa.

Ora vamos lá então a isto, com uns dias de atraso.

 

Árvore de natal natural ou artificial?

Com tanta luzinha, bola colorida e penduricalhos não identificados, acho que aquilo já é mais uma ogiva nuclear da antiga USSR...

 

Natal com neve ou sol?

Com whisky. Sem gelo, please.

 

Esperar pela manhã ou abrir os presentes à meia noite?

O pessoal estava tão enfrascado que nem nos lembrámos que era Natal. Já íamos na Páscoa...

 

Qual o filme que adora ver nesta altura?

Bem, hoje é dia 25 e dei por mim a ver o ET. E passados estes anos todos com tanta tecnologia, o sacana continua sem conseguir ligar para casa...

 

Cânticos de natal nos shoppings. Sim ou não?

Nim. Se não me puxarem pelo braço e me obrigarem a cantar, a coisa é suportável.

 

Qual a roupa que uso no dia de natal? Pijama ou aperalto-me?

Todo nu. Depois de 37 natais, já não tenho desses dilemas morais. Verdade seja dita, também com a piela que todos apanharam, ninguém se lembra de nada no dia seguinte.

 

Comida de natal favorita?

Feita. Vai tudo à frente.

 

O que queria receber este natal?

Sanidade mental. Ainda não foi desta...

 

Planeio antecipadamente os presentes ou é tudo à última da hora?

Tudo planeado e adquirido atempadamente. Tenho amor à pele e não quero morrer sufocado em superfícies comerciais nos últimos dias.

 

Vestes-te de Pai Natal?

Não. Mas houve um carnaval que fiz sucesso como Mãe Natal. Foi no ano que aprendi que andar de saltos altos não está no ADN masculino.

 

Música favorita de Natal?

Esta...

 

Onde passei o Natal?

Boa pergunta. Tenho parcas recordações. Se alguém souber, que me elucide...

 

 

Como habitualmente, não faço nomeações. Quem quiser, faça. Depois de recuperados da ressaca, óbvio.

 

 

As 7 principais razões pelas quais eu não vou muito à bola com casamentos...

- É sempre tudo demasiado perfeito. O vestido da noiva é perfeito. O fato do noivo é imaculado. Até a porra do caniche que vai levar as alianças ao altar tem um laçarote cor de rosa enfiado pelas goelas abaixo e é regado a Chanel nº 5. Começar uma nova etapa de vida baseada na mentira parece-me arriscado. O guarda fato de uma mulher nunca será suficientemente grande para ser perfeito. O homem só usará fato para o resto da vida se obrigado perante uma ameaça de bazooka nas órbitas. E toda a gente sabe que não há suficiente Chanel neste mundo para disfarçar a o eau de chien e aspiradores suficientemente potentes para aspirar a quantidade de pêlo libertado. A não ser, claro, que sejam donos de uma empresa de almofadas e usem-no como matéria prima alternativa para forrá-las.

 

- O padre fala...e fala...e fala...e porra, que o homem fala que se desunha. Ó homem, despache-se lá com isso! O noivo está com cara de arrependimento, a noiva está a rapar um frio que ainda lhe congela os ovários e os convivas estão seriamente a considerar dar-lhe uma aula de geografia gratuita. Como? Enfiando-o numa catapulta e disparar a coisa em qualquer direcção!

 

- É uma feira de vaidades. No mundo feminino, é a ocasião perfeita para tirar do armário toda aquela parafernália de bijuteria e acessórios fantabulásticos que parecem saídos de um concerto da Janis Joplin no seu apogeu e vestidos que pouco deixam à imaginação. Torna-se algo difícil ter um diálogo coerente sobre o preço do barril do Brent quando temos dois seios prontos a explodir na nossa cara ou o estado da saúde em Portugal quando temos alguém que faz questão de mostrar toda a "saúde" que possui porque o vestido tapa-lhe apenas o diâmetro do umbigo. No mundo masculino, é um desfilar de acessórios contrafeitos no pulso, habilitações que não possuem, camisas de marca ali da feira de Carcavelos e muito destilar de bebida. Impossível qualquer tentativa de diálogo com um gajo entornado. A fala arrasta-se, logo seguida dele a arrastar-se também...pelo chão.

 

- Existem DJ's e existem DJ's. Uns que são os profissionais, vão lá trabalhar, metem aquele pessoal a suar a estopinhas, a partirem a loiça toda, a passarem um bom bocado. Depois há os outros que são os amigos de um amigo de um amigo de um amigo qualquer de um gajo que se diz amigo de um dos noivos. Esse leva uma playlist de música que ELE gosta, carrega em play, vai comer tudo o que lhe aparece pela frente, assalta as minis que encontra no frigorífico, brinca ao bass drop com o Gangnam Style e julga-se o David Guetta.

 

- Nunca há whisky de jeito. Pelo menos no bar. No entanto, tenho de fazer a ressalva que há sempre umas almas caridosas que já são batidas nestes acontecimentos festivos que fazem questão de vir artilhados. Daí que quando se procura pelos homens e alguém diz que estão a beber, nunca ninguém os encontra no bar. Estão todos de roda de uma bagageira de um carro, de copo numa mão e cigarro na outra a apanhar uma cadela de meia noite com um qualquer 20 anos de malte.

 

- O momento Black Friday. Mais conhecido por lançamento do bouquet. Aquele momento extraordinário em que mulheres solteiras, casadas, adolescentes, crianças, bebés de colo e homens sobejamente bêbados se juntam todos ao molho na esperança de apanhar um molho de flores. O problema é que por norma, a noiva já está tão com os copos como os convivas. O bouquet pode aterrar desde em cima do leitão, na boca da sogra ou em cima daquele lindo arranjo de velas acesas e pegar fogo ao estaminé inteiro e fazer o pessoal virar marshmallows. Literalmente. Ou então, ir parar às mãos de uma pessoa qualquer e aí sim, desatar tudo à porrada.

 

- Estacionamento caótico. Se já é uma aventura um gajo estacionar à chegada quando está sóbrio, imagine-se tentar tirar o carro quando se está com os copos. Há sempre 38 carros que estão a bloquear o nosso e quando um gajo manda dois berros a perguntar de quem é aquela chafarica de quatro rodas...aparentemente nunca é de ninguém. Sem problemas. Um gajo vem fumar um cigarro cá fora, volta lá dentro e pede aos presentes para irem lá fora porque espatifámos a lateral de um carro ao tirar o nosso. E em 2 minutos, temos o assunto resolvido.

Não seria mais fácil dar dinheiro? É que vai dar ao mesmo e aí sim, pode-se mesmo gastar onde um gajo quiser...

Tertúlia de café entre um cigarro e outro.

- Então, já estás a destilar de espírito natalício? - questionaram-me.

- Não, nem por isso. Mas já adquiri o que pretendia para quem pretendia. E tu? - perguntei.

- Sim, também já comprei tudo. Este ano vai tudo despachado a cartões oferta. Não tenho pachorra para perder tempo a pensar no que oferecer. Deixo esse trabalho para a própria pessoa... Ela que compre algo que goste.

Admito que fiquei a matutar no assunto. Será que nos tornámos seres de tal forma vegetativos que já nem nos damos ao trabalho de quando compramos um presente de Natal destinado a uma determinada pessoa, pensar realmente no que estamos a oferecer? Fica tudo reduzido a um mero cartão com um valor anexado e um voto tipo "olha, gosto imenso de ti mas entre masturbar-me ao som dos Delfins e passar duas horas a percorrer uma superfície comercial para encontrar algo que saberia de antemão que irias gostar, perdeste para o Miguel Ângelo...e eu nem sequer gosto do Miguel Ângelo!".

Não consigo concordar com o conceito de cartões brinde. É preguicite em estado agudo. É como adorar comer um bom prato de massa durante 20 anos a fio no restaurante da esquina e nunca se dar ao trabalho de comprar um pacote de esparguete e ter tentado sequer fazer alguma coisa daquilo. Porquê? Porque dá uma trabalheira dos diabos. Implica aquecer água, juntar um fio de azeite e pouco mais. Cansativo, certo?

Uns anos atrás recebi um destes famigerados cartões. Ainda o tenho na minha posse. Dá-me imenso jeito para quando snifo linhas de cocaína ou preciso de arrombar a minha porta de casa.

Uma caixinha catita que permite pesquisar as entranhas dos últimos anos de posts. Muito útil, principalmente porque nem eu já me lembro de metade do que escrevi...

 

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